Encontras no comboio um toque de magia que não consegues perceber. A paisagem verde, os túneis, os vales, as planicies, as estações de comboio, os pequenos apeadeiros, o rio a correr lado a lado, os carris a cruzarem-se no horizonte... Uma das ttuas histórias de amor preferidas aconteceu num comboio! E um dos teus sonhos é mesmo correr as capitais e grandes cidades europeias de comboio e não há uma viagem de comboio que faças que não te recorde disso.
Estavas sentado no lugar 85, junto ao corredor, da carruagem 22. A paisagem verde debaixo de um céu cinzento acompanhava a velocidade do comboio que ocupava 4 horas da tarde de domingo. 5 filas à frente uns olhos castanhos doces captaram a tua atenção... e é claro que eu sei que não foi só o olhar que chamou o teu... aquele corpo, aquela carinha, pedia, exigia que enquanto não adormecesses atentasses nela. Quando os olhares se cruzavam regozijavas, sentias aquela sensação que só um olhar feminino consegue induzir. Estavas à espera que ela tivesse de mudar de lugar outra vez... sim já a tinhas visto passar no corredor e depois mais tarde sentar-se uma fila atrás de ti, mas do outro lado... por algum motivo ela sentou-se a estudar naquele lugar que não era o dela e quando veio a dona do lugar ao lado ela levantou-se e lá foi para aquelas 5 filas à tua frente. 5 pares de banco separavam-vos mas o compartimento para as malas por cima das cabeças era em vidro e o reflexo permitia uma visão completa da cara que mais tarde também se apercebeu de reflexo e por aí se trocaram alguns olhares... outros foram por cima e entre os bancos. Esperavas que aquele também não fosse o lugar dela e que mais tarde viesse o dono e aí dirigias-te na sua direcção e oferecias o lugar á tua frente vago pelo amigo que pela morte dum parente não fez a viagem. O dono nunca mais vinha, o lugar ao seu lado estava vago...
Foste até lá num daqueles teus raros rasgos de coragem dentro dos vários rasgos de loucura. «Eu sei que já reparaste que te tenho estado a observar, eu gostaria de ir ao cinema contigo um dia desta semana.»
«Próxima estação Santarém» e ao som da notificação da voz masculina do comboio a tua cabeça descia da Lua e o lugar ao lado da menina já estava ocupado. Não desanimaste, pelo contrário! Ela agora retocava-se... já tinhas notado isso nela uma preocupação com a aparência que achas excessiva para o teu gosto. Nunca iria dar certo, mas também não querias que desse certo... mas ela também teria de querer que não desse certo, não queres magoar ninguém tal como não queres ser magoado. Gato escaldado da água fria tem medo, e agora o comboio estava parado em Santarém. Aquela cidade tem algo que te fascina, algo que te faz sentir em casa mas também não percebes porquê. Talvez porque o teu sobrenome é possível que venha dali. No entanto aquela estação de comboio é a única que não te fascina... a única e última vez que foste até Santarém de comboio deixou-te marcas que fez com que visses a linha do comboio como uma arma.
- Ficaste a conhecer muito bem esta cidade? - soltava o meu companheiro de viagem acabado de acordar de um das sestas.
Por algum motivo minha alma gémea interior tinha adormecido e a minha atenção distraiu-se na tristeza de um rapaz uns anos mais velho que olhava o horizonte e segurava ,talvez o desespero, numa camada liquida que lhe cobria a retina e gerava um certo brilho... olhou-me rapidamente quando voltou do horizonte directamente para o telemóvel que segurava entre as mãos. Parecia esperar notícias...
Agora a minha alma sedenta procurava alimentar-se noutro olhar feminino, que também já se havia cruzado com o meu, sentado ao fundo da carruagem na outra fila de bancos no lugar do lado do corredor. Tinha entrado em Pombal e tinha estado a falar com um amigo. Esta não me fez sonhar sequer com uma abordagem... era mais simples, cabelo preto liso naturalmente preto, se se pintava não era de forma que se notasse. Aqueles olhos escuros eram muito mais bonitos que os anteriores acompanhados por pinturas e cabelo encaralocado com madeixas artificialmente loiras. Ali estava algo sério, que podia dar certo... algo que aparentemente encaixava nos teus requisitos e que por muito que não quisesses envolver-te sabias que isso ia acontecer... com medo disso nem te deste ao luxo de deixar a mente viajar.
-Não me aventuro...
Nem pareço jovem!
-Falta-te coragem?
-Acho que tenho a mania que sou puro!
Sonho com algo verdadeiro,
uma felicidade eterna!
- Não podes ter uma mentalidade moderna
enquanto esperas algo certeiro?
- Talvez tenha medo do erro...
- E não tens medo de ficar perro?
- Tenho, mas tenho menos.
- E não temes que eterna seja a espera?
- Isso acho que todos tememos...
- Dá-me uma resposta sincera,
Não rodeies mais...
Conta-me, Porque não cais?
- ... porque .... ainda não me levantei...
Ouvi perguntar a alguém, qual seria a pergunta mais difícil que lhe podiam fazer e lembrei-me de fazer a mesma pergunta a mim... Entre as existenciais, curiosidades e afins é difícil escolher uma, mas esta é boa: "Porque escreves?" e esta é uma muito boa resposta!
«Escrever pode ser uma óptima desculpa para quem na vida não tem qualquer esperança. É uma maneira de preencher uma sombra e há momentos em que um beijo escrito vale por muitos. (Nos teus braços morreríamos) » Pedro Paixão
E na solidão descubro uma nova faceta… ou serão duas e eu uma marioneta? No meu ser me envolvi e assim conversei numa solidão em que senti que algo encontrei! Conversei comigo e não era eu… descobri um amigo que é só meu! Esta pessoa já existia, mas eu não a havia visto, encontrei assim uma companhia que já me tinha gritado “existo!”
Aliás tinha mesmo falado por mim! Tomado a minha voz, avante com decisões com as quais eu não concordava… mas deixei-o tomar essas decisões ignorando se o que aguentava fantasiado pela sua força… “porra como és forte! E gosto bastante de falar contigo, mas não mais falarás por mim! Não poderás dizer algo que me contraria e que mais tarde irei mudar… isso irá transparecer a minha loucura e isso não será correcto! No entanto gostava de ser forte como tu, gostava que tomasses conta do meu corpo e levasses á frente as tuas vontades.“
Com a força que tens fazes-me sentir fraco.
Mas se eu tenho, portanto, essas duas almas em mim, porque me sinto essencialmente uma delas apenas e vejo a outra como isso mesmo, Outra! Porque sou o fraco e não o forte? Ou serás tu fraco, eu forte e essa a razão de ser eu o comandante principal que se propõe a sofrer tomando assim as rédeas deste corpo!? Gostava de descobrir mais de ti, de fazer aquela viagem contigo, só nós os dois e o corpo perdidos no espaço-tempo em lugares que deixariam de nos ser estranhos e pessoas que continuariam a ser desconhecidas! Sem lares nem palavras amigas…
Mas tenho medo que me deixasses sozinho. Quando me distraio desapareces, outras vezes adormeces… Porém não deixa de ser verdade que quando atento, tu voltas e por várias vezes já te acordei! Ainda por cima às vezes pareces outra pessoa! Será que existe outra pessoa e essa ainda não a descobri? Ou também tu tens duas almas? Tantas vezes que desapareces, depois quando voltas trazes contigo umas ideias parvas que me sobressaltam e me fazem perder a calma e sensatez que consegui alcançar… detesto quando vens assim, tão diferente de como foste… parece que também tu foste a outro mundo que te inquietou!
Ou serei eu que crio essa inquietação quando me abandonas?
Acabei agora de ver o filme...
Foi-me impossível não "pensar", não divagar... Não consegui apenas olhar o filme em vez de o ver! Algumas das divagações ter-se-ão perdido entretanto... outras não as conto. Não aqui!
Personagem John ( "o maluco") é talvez um dos pontos fulcrais do filme e no livro deve-se notar isso ainda mais. Expõe de forma clara os pensamentos... até chega a parecer o único com juízo.. o único sonhador. "Desesperante vazio" «Muita gente apercebe-se do vazio, mas é preciso muita coragem para ver o desespero.»
Mas como tão sábio e conhecedor falhava, ao tal como os principais, acreditar que "Paris" poderia ser a solução para o "desesperante vazio". Não! Quem realmente se apercebe do desesperante vazio sabe que não existe solução! "Paris" seria apenas, no máximo, um entretém... uma falsa esperança... impossível fugir ao desesperante vazio depois de o encontrar! Ilusão. Poderiam fugir mas seria até se aperceberem dele novamente, porque também lá acabariam por ser "mais uns" em vez de descobrirem o seu "valor especial". Podiam no máximo resignar-se aquela vida e a encontrar naquele pedaço algo em que eles depositem e acreditem que seja o seu "quê" especial e seria isto também o máximo que poderiam retirar de "Paris".
trailer http://osfilmescinema.blogspot.com/2009/0
cinemaptgate http://cinema.ptgate.pt/filmes/6548
Toda a gente percebeu mal... o que o Obama ( hoje anunciado como vencedor do Nobel da Paz) disse foi:
-YES WEEKEND!
porque estava todo feliz por ser Sexta-Feira à noite
o que os olhos nao veem o coração não sente!
e quando os olhos veem e o coração ainda assim mente?
e quando os olhos olham mas não veem nada,
para que o coração continue cego a sua caminhada?
e quando os olhos começam a ver, assim de repente?
e deparando-se com a crua realidade deixa cair por estrada,
a mais pura ingenuidade que só via o que o coração sente!
e há momentos em que não aguento ter de esperar mais tempo para esquecer algo que não posso mais viver...
. viagem
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. ao poeta perguntei - ana ...
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